quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Eleições 2014... saudades da Copa

Hoje, já faz três meses. O primeiro turno das eleições de 2014 acabou de passar, a polarização PT-PSDB está num nível preocupante, e fiquei com saudades da copa, apesar do fracasso no “G4”.

NÃO PODIA TER SIDO MELHOR

O que foi provavelmente a maior humilhação da história das “grandes” seleções do planeta futebol não deixou de ser algo altamente positivo.

A Copa estava indo tão bem... a Copa das Copas! Porém, vamos concordar que uma boa parte dos “torcedores” brasileiros presentes nos jogos da seleção (graças a seu poder aquisitivo) viviam um forte dilema:

Como torcer ao mesmo tempo para a conquista do hexa e contra um evento considerados por muitos tão “vergonhoso” num país como Brasil onde tem tantas coisas mais “importantes” para serem resolvidas? Ou seja, os torcedores tinham que pagar um ingresso caro para, na melhor das hipóteses, ver vitórias da seleção, mas ao mesmo tempo tinham também que vaiar o governo federal porque era o grande instigador desta “copa maldita” (apesar de ter outros atores envolvidos, ficou bem mais simples focar neste executante), principalmente porque poderia se beneficiar com a vitória da seleção! Brasil não é para iniciantes!

Talvez a solução teria sido boicotar os estádios, mas correndo o risco de passar por um otário, pois outros do mesmo grupo com certeza acabariam indo ao estádio no seu lugar (na base da mesma regra e até porque o cambista está nem ai com a copa ou o governo; tem ingresso para vender).

A ALEMANHA ACABOU COM O DILEMA, MAS ACABOU MESMO!

Com a seleção ganhando, esses “torcedores de copa” já tinham mostrado pouca disposição para apoiar o time (fato comentado por vários jornalistas); imagine o silêncio depois do quinto gol. Nem deu para tirar onda do governo federal que não iria se dar bem com o prometido hexa (erro magistral do treinador, entre os muitos, que afirmava já estar com uma mão na taça).

A festa seria dos Alemães (e não dos Argentinos, o que teria sido o supremo castigo, Deus é Brasileiro mesmo!) que só tiveram elogios para a organização da copa e para os brasileiros, antes e depois de vencer de maneira indiscutível seu quarto título mundial. Porém, o Brasil não perdeu. Foi confirmado a sua capacidade de organizar, com os defeitos (muito comentados) e as muitas qualidades (bem menos divulgadas) “O” mega evento. 64 anos anos depois da Copa de 50, e 50 anos depois do golpe contra o governo de João Goulart, mas menos de dois anos do título do grande Corinthians.

Voltando para o 7x1

Este fato “histórico” se inseriu diretamente no debate nacional impulsionado desde 2013 em parte por causa da organização do mega evento no Brasil. 

O 0x3 contra Holanda confirmou que a comissão técnica não tinha planos mesmo. Essas duas derrotas simbolizaram os problemas profundos da estrutura do futebol brasileiro em cima da qual reina a muito questionável CBF e a Rede Globo. Porém, como muitos já mencionaram (entre eles Cristovão Buarque), o debate tem que continuar para entender por que perder no futebol sempre foi menos aceitável do que perder em educação, desigualdade e dados sobre violência. Todavia, a Medalha Fields ganhada pelo Brasileiro Artur Avila trouxe mais um pouco de gasolina para os otimistas (eu incluído), mas lembra também que os países ricos se aproveitam do talento dos países emergentes porque lhes dão boas condições para desenvolver seu trabalho.

E não é que a derrota no futebol passou muito rápido (como praticamente qualquer notícia importante no Brasil). Apesar de tantas coisas graves acontecendo, a opinião pública aceita, já está acostumada (O síndrome de Cidade alerta!). Como parar de aceitar, ou no mínimo processar um pouco dessas informações. Iria ser muito mais radical do que ir às ruas... Informação é um problema sério no Brasil. 

Felizmente, Brasil não é mais o país do futebol. Neste momento, é o pais da polarização. 

Esta “final” para alcançar o cargo mais importante do executivo brasileiro vai ter repercussões muito fortes, seja qual for o vencedor.  




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