segunda-feira, 1 de julho de 2013

O caso #changebrazil: uma conclusão imparcial

O que pode ser deduzido a partir dos fatos encontrados no post “o caso #changebrazil: uma análise imparcial”?


Flávio Augusto de Silva, fundador da Geração de Valor, assume plenamente sua posição em relação à marca #ChangeBrazil. Porém, deixou claro que não é oficialmente dele. Esta informação parece benigna, mas tem toda importância.

Esta marca é de um tipo novo. Neste caso, é um “hashtag” (#...), produto da era digital. Tudo indique que é de domínio público e parece que não foi registrada. É praticamente igual à marca do Mr Maia. (só teria umas diferenças menores em termo de design, veja as fotos). É difícíl comprovar que haja alguma ligação entre os dois, porque agora, todo mundo usa o “hashtag” que acabou sendo uma ferramenta de marketing. Entretanto, tem outras coisas além da ligação entre eles.


No Twitter, voltei no tempo para ver quando o “hastag #ChangeBrazil começou a aparecer. A primeira vez foi justamente com o vídeo de Mr Maia, dia 14 de junho de 2013. Até hoje, não encontrei uma aparição anterior. Porém, tem um ponto muito interessante. O vídeo não chegou no Twitter pela conta do Mr Maia, apesar dele usar essa ferramenta com frequência. A primeira aparição vem de um tweet de Miguel Lins.


Porque o Mr Maia não divulgou o vídeo dele primeiro se quisesse que o vídeo se tornasse viral? Segundo ele, tinha decidido ficar no anonimato para não atrair a atenção para sua pessoa, e sim para o “movimento”. É interessante. Tinha a oportunidade de divulgar o vídeo a partir de sua conta, mas conseguiu se disciplinar. Mandou a marca o dia seguinte, mas não o vídeo.



Todavia, o fato do primeiro tweet ter chegado pelo Miguel Lins me fez descobrir mais uma força atuando no Brasil.

Percorrendo o perfil dele (graphic designer de Recife, conta muito ligada ao showbiz, muita coisa em inglês), eu caí num tweet muito preocupante. A primeira pessoa que jogou o vídeo de Mr Maia no poderoso Twitter jogou 6 dias mais tarde dois tweets da ONG Avaaz, um deles sendo uma petição pedindo o impeachment da Dilma Rousseff (veja o número de assinantes).


Avaaz.org é uma ONG poderosíssima cuja proposta é supostamente salvar o mundo, porque se considera do “bem”. Essa postura funciona muito bem para atrair pessoas que querem fazer o bem clicando. Vou nem tentar explicar o que é a Avaaz, apesar do assumto fazer parte de meu campo de estudos. O mundo das ONG (uma parte da sociedade civil que se está se tornando cada vez mais dominante) é muito complexo, tem muita controversa, e no caso da Avaaz, está coberto de mistérios. O nome do investidor George Soros aparece muito, mas tem poucos fatos confiáveis. Entretanto, posso indicar um post de Luis Nassif. É um bom ponto de partida para entender um pouco melhor o assunto. Uma das preocupações principais e que não se sabe o que eles fazem com os mais de 20 milhões de endereços emails (e outros dados) de seus membros, pessoas do “bem” que não parecem desconfiar desta organização (fora algumas excepções). Coloco  também um post a favor da ONG que o próprio Nassif publicou para alguem puder defender a posição da Avaaz.

Seja qual for as verdadeiras intenções da ONG, tem muito poder financeiro e tecnológico (trabalha na dimensão do mundo virtual e é operada por “nerds” da America do Norte e de outros lugares). Esta ONG poderosa tenta influir na política dos Estados-Unidos e de outros países, ataca também corporações, e consegue resultados (ver Nassif). 

Acredito que pedir o impeachment da Presidenta do Brasil passa dos limites. Um cara sentado atrás de um computador na Austrália pode influir, entre dois jogos online, sobre uma questão tão séria, invadido ao mesmo tempo a soberania brasileira. Quem subestima o poder da rede vai ter grandes surpresas no longo prazo. Recado para a União, seja qual for o partido no poder. Antigamente, passava pelo exercito, hoje, dá para agir de maneira muito mais discreta. Mudou muito desde o golpe aplicado no Goulart.

É difícil comprovar quaisquer ligações entre essas forças, mas identificá-las já é suficiente.

Mr Maia, apesar de nunca ter mostrado qualquer preocupação com assuntos políticos nas contas Tweeter e FB (tem duas) deles antes do dia 15, chega com um tal de vídeo, num momento desse. Preciso reconhecer que ele já fazia vídeos antes da serie #ChangeBrazil. Teria a capacidade técnica. Mas ainda não me convenceu. Como já comentei no post anterior, o achei limitado (principalmente em termos políticos). 

Ele começou sua militância muito de repente. De um dia para outro, se tornou um protagonista importante sobre assuntos políticos. É bom lembrar que política não é somente apoiar um partido, ou de maneira mais geral, a esquerda ou a direita. As ações de Mr Maia são políticas. Cadê os padrões mínimos que iriam aparecer na linha de tempo de suas contas Twitter e facebook? Iria trocar umas ideias, dar opiniões de vez e quando, não é? Não tem nada, não se encontra qualquer coisa social ou política que poderia justificar o projeto dos vídeos. 

Mesmo assim, se realmente foi ele que inventou a marca #ChangeBrazil, está de parabéns, pois ela realmente pegou e se tornou global. Porém, o punho é muito parecido com o símbolo do movimento Occupy Wall Street. Será que a marca #ChangeBrazil poderia ter sido influenciada pela ONG Change.org? (bem parecida a Avaaz.org) ou algum outro movimento que age na rede?

Porque fazer um vídeo dirigido ao um público estrangeiro? 

Repare que o primeiro tweet começa assim: PLEASE HELP US. Por que? Alienação por causa dos grupos de comunicação americanos? Manipulação? Autoestima baixa? Falta de saber o que fazer?

Queria acrescentar um ponto extremamente importante. Temos que tomar muito cuidado com esses vídeos virais. Achar que o vídeo está bombeando na rede é propaganda. Quem não queria assistir a um vídeo que conseguiu mais de 1 milhão de visualizações em dois dias? Pois é. Só que a gente esquece que comprar visualizações para aquecer o produto é possível. Tem um mercado enorme lucrando com isto. É tem outros meios técnicos que também podem dar uma ajudinha. Recomendo fazer uma pesquisa Google do tipo: “como inflar suas visualizações”

No caso do Mr Maia e ainda mais da Carla Dauden, as estatíticas começam muito altas (não vi a mesma frenêsia no Twitter): 


Podemos comparar com um outro vídeo, do Jabor, que tem uma caractéristica viral: 


Não tenho provas, nem estou acusando, mas só queria mencionar que esta possibilidade existe. Se tiver algum tipo de arrumação, a prova está atrás desses diagramas, porque um indíviduo não iria fazer um pagamento desse para mostrar sua indignação. 

Quanto a Flávio Augusto de Silva, parece que seu peso entre os associados do Orlando City é suficientemente importante para que eles confiassem numa operação de marketing deste tipo, apesar dela estar dirigida contra a política brasileira. Quero enfatizar neste ponto; o tom da reivindicação é bem generalista e distante da positividade expressa na página da fundação. A sombra de Milton Friedman cresceu a medida que eu avançava. Impressão pessoal, mas senti que o Estado não é muito querido do lado da GV. Influência neoliberal ou somente indignação?

Continuo achando muito estranho a associação da imagem do grupo com uma marca criada no mundo virtual e usada por qualquer um. É arriscado. A fundação Geração de Valor só recuperou a tendência do momento para expressar uma posição ou já sabia de onde vinha a marca? Foi oportunismo? Jogada de marketing espontânea? Essa parte vai ficar sem resposta.

O que a GV tem em comum com o Mr Maia (além de usar a mesma marca para manifestar suas insatisfações e os dois estarem ligados ao ensino do inglês) é essa atração pelo exterior. Achei muito preocupante o Flávio Augusto de Silva falar tão abertamente que ele compartilha preocupações com um banqueiro e o dono de um mega grupo de comunicação. Estar insatisfeito com o Brasil é algo totalmente legítimo, até para o mundo empresarial, mas forças econômicas estrangeiras não tem legitimidade para agir numa crise nacional, até se fosse de uma maneira indireta. Apesar de suas qualificações, não tenho certeza que o senhor Silva tenha ideia do perigo que representa abrir portas para forças econômicas estrangeiras. São muito, mais muito gulosas, para usar um termo suave.



Por último, o papel de Rede Globo está longe de estar claro (porém ainda não entrei em contato com a empresa). A propaganda paga, porque não? É negócio. Entretanto, as menções do #ChangeBrazil pelos narradores e depois no site são estranhas. Seria propaganda de graça, simples assim. 

Quem acredite que alguém na Rede Globo faz propaganda de graça? Além do que, o vire-volta do Arnaldo Jabor, noticiado até na Argentina, foi muito estranho. Acreditar que o “intelectual” voltou atrás porque de repente mudo de opinião é muito difícil. Cada um tem o direito de achar o que quer, mas parece muito como uma ordem que chegou lá do alto e bateu muito forte no Jabor. 

5 comentários:

  1. Recebemos seu tweet com o link para este texto e viemos aqui conferir.

    Interessante sua investigação. Também estamos com uma pulga atrás da orelha com esse "movimento", principalmente por seu caráter excessivamente gringo.

    Num primeiro momento, também fizemos uma associação quase automática com o Change.org, pela similaridade da denominação, mas não encontramos nenhuma comprovação de vínculo.

    É realmente algo estranho e seu artigo é muito válido pra incrementar essa discussão. Confesso que, após assistir alguns vídeos do "movimento", não fiquei nada sensibilizado com o discurso dele. Soa por mais demais elitizado, e completamente por fora da realidade do brasileiro.

    Parece ser claramente algo pra gringo ver, e praquela parcela alienada da população, tanto a mais abastada, quanto a classe média: ambos preocupados em aumentar ou manter suas posses, em detrimento da injustiça e desigualdade social.

    Não transmite, em verdade, nada de revolucionário, mas sim de reacionário. Provavelmente é mais um esforço para manutenção do status quo, ou mesmo um incentivo para um novo golpe, do que uma ação em favor do verdadeiro povo brasileiro.

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  2. Eu suporto totalmente minhas ações mas concordo em numero e grau com o que você disse em relação a AVAAZ. É uma organização que supostamente quer fazer o bem, sim, mas ficamos expostos ao extrangeiro em assuntos que dizem respeito ao povo brasileiro.

    Eu sei que idealmente esse carater 'gringo' não é apropriado para assuntos tão importantes como este mas em minha mera opinião é necessario e não se tem como debater isso, exceto talvez dizer que é a nossa "opção" mais pacifica nos dias de hoje.

    Eu, que venho me manifestando de forma política e revoltante com a população brasileira desde a infância, acho que por mais gringo que pareça, esse movimento continua sendo melhor que movimento nenhum e gostaria de acrescentar que acho até que a abordagem do Mr. Maia foi brilhante.

    Não quero subestimar o valor populacional brasileiro mas creio que um país que acha que tudo que vem dos 'states' é "melhor" deve ser tratado como tal, e é dai que vem o brilhantismo na idea do Mr. Maia: Porque não começar um movimento para o Brasi pelos USA? Afinal, para a maioria da população tudo que vem de lá é melhor.

    Se é dessa maneira que o movimento vai ganhar a atenção nacional por mim tudo bem, de certa maneira essa é a forma do brasileiro acordar para os assuntos que ao mesmo tempo alarmantes são ignorados pela maioria, a comparação com o exterior e no final a duvida... Porque lá é assim e aqui não?

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  3. Obrigado [Agora,aqui] e Miguel Lins para seus comentários. Contribuem a entender melhor esses tempos modernos.

    Agradeço também Flávio Augusto da Silva (empresário brasileiro dono do time de Orlando City) que foi bem transparente e reagiu ao primeiro post na página da fundação Geração de Valor.

    A resposta está neste link:

    https://www.facebook.com/CanalGeracaodeValor/posts/498052213607731?comment_id=3563163&notif_t=comment_mention

    Aguardando uma resposta de Mr Maia.

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  4. uaheuaheuhaeuahuehauehauhe é muita desonestidade com o intelecto, ou é a total ausência dele. Para quem conhece proximamente as partes citadas no "texto", realmente torna-se uma leitura hilária hahahahhahahahaha.


    Pena que vai ter nego que vai ler e acreditar nessas patifarias silábicas. Mas faz parte. Internet tá cheia de merda mesmo.

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  5. Eu procurei Mr Maia, mas ele não tem interesse em reagir aqui. Reproduzo as respostas e reitero, a partir dos fatos encontrados, não vejo nenhuma característica que possa indicar uma mínima capacidade política, apesar dele ter sim a capacidade técnica (para fazer e também falar). Fui lá ver as páginas FB, não tem nada sobre os acontecimentos mais recentes no Brasil. Voltou a divulgar os vídeos profissionais das aulas de inglês.

    Segue as respostas de Mr Maia:

    Silvio escreveu: "Autret, voce quer ibope e visualização pro teu blog. Eu não tenho nenhuma intenção de me tornar famoso com o movimento que eu, SOZINHO, originei. Foi uma pena que pessoas como voce resolveram suja-lo inventando boatos, o único motivo pelo qual tive que divulgar quem sou. Vi seu tweet e não respondi de propósito. Acho uma enorme falta de vergonha ficar empurrando um material para os outros garganta abaixo, tirando vantagem do que está acontecendo no país. Lembro do seu último comentário em meu post, começando com ''então voce foi pago.'' Imparcial voce não é, e dizer o mesmo sobre o blog tendencioso que voce escreveu é um enorme desrespeito á lingua portuguesa. Essa foto que voce está vendo, do Fabio Pochat, eu postei no meu facebook, sem a intenção de publica-la. Rogo que tenha o mesmo decoro e pare de tentar construir seu nome ás custas desse movimento."

    Silvio escreveu: "...e antes que tente usar essa minha resposta na sua desesperada tentativa de produzir algo que pessoas queiram ler, deixe-me só abrir um porem que voce talvez possa pegar fora de contexto e deturpar como outros fizeram. Ao escrever 'sozinho', eu quis dizer apenas eu e o pessoal que trabalha no Mr. Maia, meu canal de youtube. Me refiro ao fato que não foi nenhuma organização externa que o fez."

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